segunda-feira, 31 de julho de 2017

35 anos de Festival Internacional de Folclore de Arouca

Sérvia, Polónia, Espanha e Lituânia são as representações internacionais na 35ª edição do Festival Internacional de Folclore de Arouca. 
O evento, nesta edição, vai ao encontro da comunidade descentralizando atividades paras as aldeias, onde se procura fomentar o gosto por artes tradicionais junto dos mais novos e valorizar um dos protagonistas das tocatas portuguesas, o cavaquinho. 




PROGRAMA 2017


Quarta-Feira | 16 de Agosto 2017
16:00-18:00| Workshop de construção de marionetas em madeira - Técnica de manipulação de varão pelo Red Cloud Teatro de Marionetas. (Duração total de 4 horas repartidas pelos dias 16 e 17 Agosto).
Local: Escola Básica de Ponte de Telhe, Moldes
Informações e Inscrições pelo nº: 96 610 81 78 | Nº máximo de participantes: 20

22:00 | Teatro Dom Roberto “Barbeiro” e “Tourada Portuguesa” pela Companhia Red Cloud Teatro de Marionetas
Local: Largo da Capela, em Ponte de Telhe (Moldes)

Quinta-Feira | 17 de Agosto 2017
10:00-12:00| Workshop de construção de marionetas em madeira - Técnica de manipulação de varão pelo Red Cloud Teatro de Marionetas. (Continuação do dia 16 de Agosto).
Local: Escola Básica de Ponte de Telhe, Moldes
Informações e Inscrições pelo nº: 96 610 81 78 | Nº máximo de participantes: 20

15:00 | Exibição do documentário “PELOS TRILHOS DO ANDARILHO – um documentário-viagem aos caminhos que Ernesto Veiga de Oliveira abriu”  do Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra
Local: Museu Municipal de Arouca

22:00 – Espectáculo de Cavaquinhos com o Conjunto de Cavaquinhos Dr. Gonçalo Sampaio (Braga)
Local: Largo da Capela, em Fuste (Moldes)


Sexta-Feira | 18 de Agosto de 2017
22:00 |Espectáculo e  Workshop de dança com os grupos Folklore Ensemble Kujawy (Polónia) e Kud Milenko Stojkovic (Servia)
Local: Praça Brandão de Vasconcelos  

Sábado | 19 de Agosto de 2017
18:30 | Desfile Etnográfico
Local: Av. 25 de Abril, Alameda D. Domingos de Pinho Brandão, Pr. Brandão de Vasconcelos

22:00 | Espectáculo de Folclore com
1.     Rancho Folclórico de Escalos de Cima – Castelo Branco
2.     Grupo Folclórico de Pescadores de Caxinas e Poça da Barca – Vila do Conde
3.     Grupo de Coros y Danzas “Luis Chamizo” de Talavera La Real – Espanha
4.     Rancho Folclórico da Boidobra - Covilhã
5.     Conjunto Etnográfico de Moldes – Arouca
6.     Folkdance Group "Kauskutis" – Lituânia
Local: Terreiro de Santa Mafalda


Apoios | Município de Arouca | Junta de Freguesia de Moldes | Instituto Português do Desporto e Juventude | Fundação INATEL | Agrupamento de Escolas de Arouca | Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Arouca | União de Freguesias de Arouca e Burgo 
Organização | Conjunto Etnográfico de Moldes de Danças e Corais Arouquenses

sábado, 22 de julho de 2017

«Arouca vista de dentro»

Ruralismo (1)


In Arouca vista de dentro: Ruralismo (1) de 02-06-1956, pp. 1 e 3

«Que eu conheça, tem o concelho três quintas latifundiárias que, pelo condicionalismo da sua situação, deviam ter, e tiveram no passado, vida própria, específica, diferente do comum dos casais da órbita dos agregados populacionais ou das de fácil acesso. Qualquer delas estava, e todas estão encravadas entre montes. O seu isolamento no passado devia-se ter tornado como que uma espécie de campos de concentração, em que a vida se confinava numa paisagem rígida, condenada, eterna pela repetição: - céu e queiró! Assim a vida doméstica e social da gente da casa estava forçadamente circunscrita ao agregado familiar, sempre estreito. Vivia-se não dentro de uma gaiola, mas no fundo de um alguidar. Este habitual devia ser criado um tipo humano suis generis.
Quero-me referir às três quintas, então importantes, do concelho: à de São Mamede, na freguesia de S. Eulália, à do Toural, na de Canelas e à da Drave, na de Covêlo de Paivó.
Qualquer delas em perfeito isolamento, com vida própria de uma clausura. Vivia-se para a quinta e da quinta. Foi assim, de resto, que nos recuados tempos se fundaram ou instituíram os mosteiros. O mundo começava e acabava ali. Vivia-se bem? Vivia-se mal? Vivia-se pelo menos com suficiência e isso é o que importava. Naqueles tempos a vida era muito limitada – trabalhar, comer, dormir, e as necessidades espirituais não deviam ultrapassar a obrigação dominical de ir à missa na igreja paroquial, desenferrujar a língua no adro com os amigos, e, com a promessa, ir à romaria mais importante da redondeza e então apreciar a música no palanque, e, à noite, os copinhos da iluminação e as «lágrimas» dos foguetes. Economicamente, moeda que ali entrasse, para ali ficava como no fundo de um poço, em aumento dos réditos da fortuna da casa.
Vintém que lá caísse só saía da arca e tornava a ver a luz do dia nos momentos solenes do baptizado ou de casamento que, para as contribuições obrigatórias ao Governo, Governo era então uma individualidade real e humana com retrato nas notas de cem mil réis, a ginástica era outra não com o dinheiro amealhado, que esse era para o que era, mas com dinheiro novo que se obtinha geralmente com umas fornadas de carvão convertidas em níqueis.
Era com este ou outro material, conforme as circunstâncias, transformado em moeda, que o casal se punha quite com o Estado. O dilema em economia era este: - Pôr e não tirar – por que a experiência tinha demonstrado iniludivelmente que donde se tira e se não põe era uma vez uma quinta, era a falta de tino, a miséria, a desonra.
Qual seria a base da alimentação que a quinta, só por si, devia fornecer, aos seus habitantes? Quanto às viandas, o problema para nós não dependia de solução: os porcos, os cabritos, os galináceos asseguravam de longe as necessidades de carne, do conduto. Devia ser motivo de orgulho para aquela gente mostrar a salgadeira bem provida, além do mais, de umas dezenas de presuntos e multidão sem número dos salpicões e chouriças. Pão, base da alimentação dos rurais, era o produto essencial da quinta: comia-se a toda a hora, dava-se ao pobre que por ali aparecesse; vinho, hortaliça e fruta também a quinta os fornecia com abundancia; os gastos nãos os consumiam e todos eles constituíam o rendimento natural da propriedade; era deles afinal que vinha o fundo de receita. Mas o resto, que nós hoje representamos dela massa, pelo arroz e pela batata?
Batata era coisa desconhecida da época, o arroz e massa era preciso comprá-los na venda, e isso, além do gasto, era mimo de que os rurais só usavam nas festas do ano ou quando recebiam visitas que era preciso honrar. Haveria apenas o recuso do feijão, que a cultura do grão-de-bico não tinha tradição na região (deixem passar o ão ão).
Bem sei que é de criar água na boca uma refeição de reluzentos grelos com rojões e uns ovos estrelados ao de cima. Mas nem sempre feijões nem sempre grelos, como nem sempre galinha, nem sempre rainha. Caldo, broa, hortaliça, carne de porco, continuadamente, eternos como a paisagem - céu e queiró, era de derrancar um cristão!
Deixo o problema aos entendidos de história e culinária.
A quinta de São Mamede, que eu saiba, não tem história. A do Toural teve a «honra» de ser visitada e ter agasalhado, com galhardia, os quadrilheiros do Zé do Telhado. De Mansôres veio um estafeta em alvoroço: Os homens, a quadrilha do Zé do Telhado vem vos assaltar a casa! E veio realmente, mas quando ali chegou já todos os valores, ouro e dinheiro, tinham mudado de posto, e apenas ficara a fortaleza de ânimo para se não darem por achados e dizerem que valores era coisa que não havia, por a vida estar difícil, mas que entrassem, e descansassem enquanto se preparava uns ovos com salpicão ou se liquidava e arranjava um cabrito. E a pinguita escapava. A quadrilha por sua vez foi também amável. Deu uma vista de olhos pelas arcas e esconsos e regalou-se despois com a opípara refeição e possível é que até dormisse a sua sonêca, que a gente da casa era de boa índole. Sorte e diplomacia esconjuraram o perigo.

A de Drave, solar dos Martins, tem lugar à parte pela sua projecção no futuro, que é agora o nosso presente. Mas a sua história fica para uma segunda dose nesta secção, enquanto as «gralhas» vão fazendo das suas, como é costume, e de obrigação.»

domingo, 5 de março de 2017

Moldes jogou ao Carnaval

O Conjunto Etnográfico de Moldes colaborou com a iniciativa promovida pela Junta de Freguesia de Moldes que teve como objectivo promover a identidade do verdadeiro carnaval português de matriz rural.  

Para além do baile de mascarados houve lugar para a crítica e sátira social onde em tom jocoso e divertido foram visadas instituições, iniciativas, pessoas de Moldes, e não só. Não faltou, também, a Queima do Compadre e da Comadre. 






quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Venha Jogar ao Carnaval em Moldes


Moldes vai Jogar ao Carnaval. Por iniciativa da Junta de Freguesia, realizar-se-á no próximo dia 26 de Fevereiro – Domingo Gordo – uma recriação do Carnaval de outros tempos. O Conjunto Etnográfico de Moldes participará e ajudará a reviver brincadeiras de Carnaval que se foram perdendo no tempo. A actividade inclui um Baile de Mascarados, a Leitura de Testamento com a sátira e ditos jocosos que lhe estão associados e a tão característica Queima do Compadre e da Comadre.
Junte-se a nós no largo de Outeiro-Meão, a partir das 14:00. Juntos recuperaremos memórias e não deixaremos morrer as identidades locais.
Além do Conjunto Etnográfico de Moldes, a iniciativa conta com a colaboração da Associação dos Amigos da Cultura e Desporto de Ponte de Telhe, do Centro Cultural e Recreativo de Moldes, do Vale do Viso – Associação pelo Ambiente, Desporto e Cultura de Celadinha e do Grupo de Jovens de Moldes.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

«Arouca Vista de Dentro»

«Arouca Vista de Dentro» era o nome da coluna de Albano Ferreira publicada durante vários anos no extinto jornal arouquense «Defesa de Arouca».

Pelo extraordinário valor etnográfico dos seus textos e pelo inestimável contributo que deu ao Conjunto Etnográfico de Moldes vamos, neste espaço, passar a transcrever os seus textos.

Para melhor conhecimento deste ilustre arouquense transcrevemos o artigo de Alberto de Pinho Gonçalves dedicado a Albano Ferreira publicado no jornal «Discurso Directo» de 05-12-2014. 


«Figuras Arouquenses:

LIII – Albano da Cunha Pinto Ferreira

Vulgarmente conhecido como Albano Ferreira. Nasceu a 12 de Março de 1897, na Praça, Arouca. Filho de Ernesto Pinto Ferreira e Maria Carolina da Cunha Alegria. Neto paterno de José Ferreira de Oliveira, de Vila Nova, Burgo, e Maria Luísa da Conceição, do Rio de Janeiro, Brasil; e materno de João de Oliveira e Cunha, de Ovar, Chefe da Estação Telégrafo-Postal de Arouca, e Rita Ferreira Alegria, de Oliveira de Azeméis. O seu pai exerceu a profissão de escrivão-notário de Arouca.

Talvez a convivência paterna tenha influído na profissão que teve de escrivão judicial, em diversas comarcas do País, incluindo a de Arouca.

Esta sua vivência com as populações, através da sua profissão, deu-lhe um conhecimento extraordinário de todos os aspectos etnográficos e antropológicos da população arouquense, que o apaixonaram toda a vida.

Por tal motivo esteve durante muitos anos ligado ao folclore arouquense, e de um modo especial, ao Conjunto Etnográfico de Moldes, de que foi seu grande divulgador, nomeadamente nos anos 60, do século passado, conseguindo, através do seu grande amigo, o poeta Pedro Homem de Melo, ir várias vezes à RTP, mostrar o nosso folclore.

Quem o quisesse ver zangado era falar mal do folclore e, de um modo especial, do Conjunto Etnográfico de Moldes.

Ainda está na lembrança de muitos arouquenses, aquando da Feira das Colheitas, quando subia ao tablado o grupo de Moldes, para a sua actuação, ia também o «Albaninho» com a sua caixinha de cordões de ouro (pois ele tinha um grande espólio de peças de ouro antigas), e por sua mão os colocava ao peito das raparigas de Moldes, para a sua exibição. Pode dizer-se que era um «doente», no bom sentido, de tudo o que dizia respeito aos costumes e tradições das gentes de Arouca.

Essa sua «doença» levou-o a escrever, durante muitos anos, na imprensa, principalmente no jornal “Defesa de Arouca”, belos artigos que mostram as vivências dos arouquenses, os seus usos e costumes, com uma prosa simples, objectiva e graciosa, que a todos deliciava.

Não resisto a contar uma passagem que se passou na minha presença, há muitos anos. Trabalhava eu no dito jornal, onde ele colaborava, ainda sedeado na rua Dr. Figueiredo Sobrinho (rua D´arca), num prédio hoje em ruínas.

Naquela altura o jornal publicava uma secção denominada “Movimento Demográfico do Concelho”. Ora sobre os casamentos a notícia era dada mais ou menos nestes termos: fulano de tal, do lugar de tal, com fulana de tal, do lugar de tal, da freguesia de tal. Coincidiu que num casamento da freguesia de Canelas, em que há o lugar de Cima e o lugar de Baixo, saiu a notícia que dizia fulano de tal, de Cima, com fulana de tal, de Baixo.

A perspicácia do «Albaninho» levou-o para a brejeirice. E então dirigiu-se ao jornal para adquirir um novo exemplar (talvez para guardar religiosamente...), e com grande satisfação, ria-se do caso.

Não era pessoa religiosa; mas tinha em muitos padres os seus grandes amigos. De um modo geral tinha a simpatia de toda a gente, que o admirava e respeitava.

Era um óptimo conversador. Matinha um diálogo correcto e interessante com todos. Casou em 20 de Agosto de 1922, com Maria Helena Casimiro Leão Pimentel, natural da cidade do Porto, de quem teve dois filhos, o Alfredo e o Rui Pimentel Ferreira, creio que já ambos falecidos.


Faleceu a 7 de Julho de 1978, na sua residência, na freguesia de Massarelos, Porto. A notícia do seu falecimento, só chegou dias depois de ter acontecido, por sua expressa vontade.»

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Assembleia Geral | 22 de Janeiro de 2017

No próximo dia 22 de Janeiro de 2017, pelas 14:00 horas, realizar-se-à uma sessão da Assembleia Geral do Conjunto Etnográfico de Moldes na sede da Junta de Freguesia de Moldes, com a seguinte ordem de trabalhos:    
  • Apresentação, discussão e aprovação do Relatório de Atividades e Contas referentes ao ano de 2016;
  • Apresentação, discussão e aprovação do Plano de Atividades e Orçamento para o ano de 2017;
  • Outros assuntos de interesse para a associação;
Se à hora marcada não estiver presente mais de metade do número de associados a reunião realizar-se-à uma hora mais tarde, qualquer que seja o número de presentes, no mesmo local e com a mesma ordem de trabalhos.


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Encontros de Reis e Janeiras

«Remaldeiras» e saudações pelas mãos e vozes masculinas e também as polifonias no feminino dão corpo à participação do Conjunto Etnográfico de Moldes em vários encontros alusivos aos Reis e às Janeiras, durante este mês de Janeiro. 






  

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Canto popular polifónico e comunidades locais em destaque no 2.º Encontro de Vozes

Cerca de sessenta vozes deram corpo à segunda edição do Encontro de Vozes, que decorreu no passado sábado, dia 26 de Novembro, na Igreja de Moldes, em Arouca. O evento, organizado pelo Conjunto Etnográfico de Moldes, teve como finalidade divulgar o canto popular polifónico como “uma das mais nobres manifestações da cultura popular” e mostrar que o «Cancioneiro de Arouca» ainda vive disperso pelas aldeias do concelho, guardado sobretudo pelas mulheres.
Conjunto Etnográfico de Moldes
“Mais do que um espectáculo, o nosso «Encontro de Vozes» pretende alertar e sensibilizar a comunidade para a riqueza da polifonia tradicional e trazer à cena todos e todas que ainda sabem estes cantares”, começou por afirmar um elemento da organização, na abertura do evento.  
O elemento diferenciador foi efectivamente a presença de diversos grupos informais que se impuseram pela sua simplicidade e mostraram o verdadeiro significado de autenticidade. A envolvência das comunidades locais foi desde logo assumida pelo Conjunto Etnográfico de Moldes como um dos objectivos primordiais do evento. Nesta segunda edição do «Encontro de Vozes», essa envolvência tornou-se evidente com a apresentação de um maior número de grupos informais, maioritariamente de Arouca.
Cantadeiras de Cabreiros
Cantadeiras de Ponte de Telhe
A noite começou com as cantas e os cramóis apresentados pelo Conjunto Etnográfico de Moldes. Seguiram-se as Cantadeiras de Cabreiros que, vindas dos lugares de Tebilhão e Cabreiros, trouxeram o que de mais belo a serra soube criar e guardar. Nos lugares de Ponte de Telhe, Bouceguedim, Celadinha e Cela (freguesia de Moldes) também se reuniram algumas cantadeiras. Os seus cantares foram, acima de tudo, o testemunho da história dos lugares de onde vieram e das suas próprias histórias de vida, marcadas pelo trabalho na floresta e pelo minério. 
O Centro Cultural, Recreativo e Desportivo de Santa Maria do Monte, da freguesia de Santa Eulália, fez-se representar com um numeroso grupo de cantadeiras. Além da dinamização de actividades de âmbito cultural, recreativo e desportivo, a associação tem como objectivo preservar e divulgar o património das suas gentes onde se incluem os cantares.
Centro Cultural, Recreativo e Desportivo de Santa Maria do Monte
Seguiram-se as Cantadeiras de Adaúfe, da freguesia de Moldes. Estas cantadeiras são a prova de como o canto popular pode, nos dias de hoje, funcionar como elo agregador de uma aldeia que, à semelhança de muitas outras, assiste à perda das suas gentes. Inspiradas pelo que viram e ouviram na primeira edição do «Encontro de Vozes», estas senhoras de Adaúfe juntaram-se para relembrar os seus velhos cantares, tantas vezes entoados aquando dos trabalhos do campo ou nos raríssimos momentos de lazer.
Cantadeiras de Adaúfe
Grupo de Cantares de Carvalhal de Vermilhas, Vouzela
O Grupo de Cantares de Carvalhal de Vermilhas, de Vouzela, foi o último a apresentar-se. Homens e mulheres fizeram-se ouvir em cantares religiosos e outros que demonstraram a influência que a Serra do Caramulo teve no nascimento daquelas gentes, também muito ligadas ao trabalho no campo.
No final, todos os grupos, público incluído, cantaram a uma só voz alguns «clássicos» do canto popular.
De acordo com a direcção do Conjunto Etnográfico de Moldes, os objectivos estabelecidos para o evento foram atingidos. “Pretendíamos divulgar o canto popular polifónico da região de Arouca e promover a participação de comunidades locais enquanto guardiãs de um património que ainda sobrevive. A verdade é que conseguimos mobilizar grupos informais de senhoras de pontos diferentes da freguesia de Moldes e do concelho de Arouca que, cremos, surpreenderam quem as veio ouvir. Entoadas principalmente no feminino, estas vozes trouxeram-nos histórias, vivências e saberes das artes da fala que infelizmente correm risco de desaparecer”, afirmou a vice-presidente da direcção, Ana Cristina Martins.
No final do encontro a dirigente lançou o repto: “É importante alertar para a necessidade de se preservar este património imaterial. É por isso que estamos aqui. Lançamos, desde já, o desafio à comunidade em geral, mulheres e homens, para que se reúnam e voltem a cantar, para que numa próxima edição sejam eles a estar aqui a mostrar a história das suas gentes e dos seus lugares. Lançamos também o desafio às instituições para que se unam e criem estratégias para salvaguardar e revitalizar aquele que é, efectivamente, um dos patrimónios mais bonitos e significativos que temos. Urge esforçarmo-nos pela sua preservação, para que este património possa chegar às gerações futuras”, sublinhou Ana Cristina Martins. 

Fotografias de Carlos Pinho

Grupos cantam a uma só voz alguns 'clássicos' do canto popular

























sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Igreja de Moldes volta a acolher “Encontro de Vozes”

O Conjunto Etnográfico de Moldes organiza, no próximo dia 26 de Novembro, a 2.ª edição do «Encontro de Vozes». O evento, que decorrerá a partir das 21:00, na Igreja de Moldes, tem como objectivo divulgar o valor patrimonial do canto popular polifónico da região de Arouca e promover a participação de comunidades locais enquanto guardiãs de um património que ainda sobrevive.
Com a particularidade de reunir grupos organizados de carácter associativo e grupos informais de mulheres que tiveram no cantar uma das vivências do seu quotidiano, evidenciar-se-á a riqueza do “Cancioneiro de Arouca”, e não só, e a necessidade de promover a preservação deste património. 
Darão voz a este encontro seis grupos: o Conjunto Etnográfico de Moldes, o Centro Cultural, Recreativo e Desportivo de Santa Maria do Monte, as Cantadeiras de Ponte de Telhe, Adaúfe e Cabreiros, do concelho de Arouca, e o Grupo de Cantares de Carvalhal de Vermilhas, de Vouzela.